Cabala

Por E. Pellizari
 
A palavra Umbanda, escrita em caracteres hebraicos, revela interessantes mistérios que a Cabala Judaica (Kabalah) pode nos decifrar.   
 
Primeiro Mistério 
UMBANDA pode ser escrita com sete letras hebraicas (elas possuem nome): ALEPH, VAV, MEM, BEITH, NUN, DALET E HEY.  Aqui encontramos as Sete Linhas e os Sete Orixás. 
Os valores numéricos correspon­dentes são (as letras também possuem um número):
Aleph (01), Vav (06), Mem (40), Beith (02), Nun (50), Daleth (04) e Hey (05). Logo, a soma da palavra Umbanda é 108. Em hebraico, temos outras pala­vras com este mesmo valor.   As pala­vras com o mesmo valor são irmãs, ou seja, possuem a mesma vibração ou poder.  
Assim, temos as seguintes pala­vras irmãs de Umbanda :
1) Chanakh: dado graciosamente e
2) Vayatzev: e ele levantou. 


Nós encontramos estas duas pa­la­vras no Livro do Gênesis da Bíblia. 
A primeira em Gn: 33, 5 e a segunda em 33, 20. 
“Lemos na primeira: “Os filhos que Deus (tem) graciosamente dado” e na segunda: “e ele levantou ali um altar e chamou-lhe Deus”. Isto ocorreu quando o Patriarca Jacó chegou na cidade de Siquém. 
O significado místico desta passa­gem é de grande importância, pois vemos aqui inseridas a origem divina da doutrina ou religião umbandista.  
Jacó, o Patriarca, é a raiz das Do­ze Tribos de Israel. 
Segundo a passa­gem acima, ele levantou um altar ao Altíssimo e Onipotente Senhor. 
Este altar, uma rocha consagrada, é cha­ma­do de “Deus”, pois representa a di­vindade fincada na terra.
Uma espé­cie de “assentamento” ?
Desta forma, cabalisticamente lemos :
 
1. Que a Umbanda desceu do Céu (plano astral superior). 
2. Como uma rocha, ela é forte, fir­me e tem base muito sólida.
3. Também é eterna, po­is os homens não po­dem mudar os desíg­nios divinos.
 
Segundo Mistério 
Umbanda co­meça com a letra Aleph. 
Es­ta letra sim­bo­liza o “início”, pois é a pri­meira letra da escri­ta sa­gra­da.  Aleph é uma imagem do Deus Cria­dor, o princípio de tudo. A Umbanda convida o adep­to a voltar à sua origem divina.   
Uma religião autêntica vem de cima (astral superior, o mundo da unidade), não de baixo (astral inferior, o mundo da confusão).  
O Orixá identificado com Aleph é Oxa­lá, o Grande Senhor das Alturas, o Pai da Pureza (branco, luminoso). 
No sincretismo afro-católico é Yashua, Jesus o Nazareno, vestido de alva tú­nica, emanação do Pai Invisível (Olo­run, Zambi). 
Aleph na Cabala é também o ar. Sem ele não existe vida. Este ar rela­ciona-se com o espírito, a porção divi­na encarnada na matéria.  
Isto nos lembra o primeiro espírito que revelou a origem do movimento umbandista: O Caboclo das Sete En­cruzilhadas.    
Ve­mos aqui, nova­mente, o nú­mero sete!  Ora, o pró­prio nome da Um­­banda tam­bém veio das altu­ras, do prin­cí­pio… Umbanda é sete (po­de­res, raios, vi­bra­ções), veio do um (mun­do da unidade), seu reve­la­dor era sete (Sete En­cru­zilhadas) e se manifes­tou do um (Olo­run). 
Is­to é Cabala!
 
Terceiro Mistério 
Umbanda, como vimos, tem sete letras.
A letra do meio desta palavra mágica, o coração dela, é a letra Beith.
Esta letra significa casa, tenda ou abrigo.
Misticamente pode ser com­preendida como templo ou santuário. 
Com a letra Beith Deus inicia a Bíblia (Antigo Testamento) em he­braico. 
A Bíblia é também patrimônio dos umbandistas.
 Mas, teria a Um­banda uma Bíblia especial ou revela­ção escrita particular, como as outras religiões? 
Seguindo a tradição da Cabala, encontramos o seguinte ensinamento.
 Como Deus é o princípio (letra Aleph), Beith é a criação e a criatura. 
A melhor representação da criação é a Mãe Na­tureza. 
Ela é a Bíblia viva e misteriosa. 
Quando mergulhamos nos segre­dos da Natureza, compreen­demos melhor Deus.
 Ela é um livro aberto, mas só que os que ficam em silêncio e em atitude de respeito dentro e diante dela, conseguem ler suas palavras de sabedoria.
Para a Umbanda, a Natureza é o rosto visível de Deus.
Também é o san­tuário ou templo natural dos discípulos deste culto sagrado. 
Lá na mata, cachoeira, pedreira, rio ou mar, Deus e seus mensageiros (Orixás) se mostram mais intimamente.
 Por isto, a Umbanda pode orgulhar-se de ter o melhor santuário da criação e a mais bonita Bíblia do mundo.
Ninguém precisa fazer faculdade ou pagar para ler esta escritura.
 Tam­bém nunca existirão padres ou pasto­res donos dela! 
Ela é Mãe de tudo e de todos. 
A Natureza é livre e soberana. 
Assim, podemos afirmar sem rodeios:
A Umbanda é cabalística, co­mo a Cabala é umbandística. 
São duas rosas irmãs, do imenso roseiral do Jardim de Oxalá.
Shalom!

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